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Portfólio
toc toc...uma porta se abre!
*Bilhetes encontrados no ateliê da Lua
“Existe uma espécie de canal mágico que conecta você ao meu ateliê. Um lugar onde compartilho uma curadoria de artes autorais criadas a partir de memórias da infância, simbolismos e fascínios pessoais. Cada ilustração nasce de um conceito e de uma pequena narrativa própria, transformando sentimentos, lembranças e imaginação em imagem. Por isso, junto das obras, também compartilho textos descritivos , uma forma de expandir o universo de cada peça e tornar a experiência mais imersiva, íntima e afetiva. Se você está lendo isso, é porque encontrou esse canal.”
Seleção de ilustrações autorais

Não fazia a menor questão de interromper uma boa soneca para receber recém-chegados. Sabia que encontraria cada um no momento certo: nas preces enviadas ao vento e nos sonhos mais solitários.
Não havia criatura que reclamasse depois de um belo devaneio ao repousar a cabeça no travesseiro. Diferente delas criaturas engraçadas e tolas, pensava o dragão, ele descansava com a mente mergulhada em completa escuridão.
E como aquilo era bom.

Antes de qualquer coisa, sou a primeira vítima, o primeiro alvo, a criatura mais fácil de derrubar. Caída na grama, sangrando e encarando com clareza o meu possível destino, sinto raiva da minha própria condição, de carregar no corpo e no olhar a marca de quem pode ser ferida antes mesmo de lutar.
Mas essa raiva também me mantém viva. Se eu conseguir me levantar, encontrar força suficiente e o presságio não se cumprir, os papéis serão invertidos. A presa deixará de fugir. E, finalmente, serei eu a predadora.

Sentada no quintal, ela tinha, com toda certeza, o colo mais seguro para um canário descansar. Eles chegavam pela água fresca e pelas sementes deixadas na varanda, mas escolhiam ficar. Pousavam, um a um, em seus braços, nas pernas e nas mãos, sem qualquer pressa de ir embora. Confiavam seus pequenos corpos à delicadeza de um toque que nunca apertava demais. Descansavam por alguns minutos antes de levantar voo outra vez.
Era um cuidado que não esperava nada em troca e não conhecia amarras. Quem quisesse ficar, ficava. Quem precisasse partir, partia livre.

Ela não correu. O lobo também não avançou. Por alguns instantes, ficaram apenas olhando um para o outro, curiosos, como dois desconhecidos que se encontram pela primeira vez na mesma trilha. Chapeuzinho não fazia ideia do perigo que já habitava os pensamentos do lobo. Ainda assim, ele não parecia um lobo. Não o lobo das histórias, nem o monstro que aprenderiam a temer. Era apenas mais um encontro entre tantos que a floresta lhe oferecia.
Mais tarde, diriam que ela deveria ter percebido. Que os olhos do lobo já denunciavam tudo. Mas ninguém se lembra de como um primeiro encontro acontece. Quando uma história acaba, é fácil voltar ao começo e fingir que o final sempre esteve lá.
*Ilustração de conto infantil clássico, retratando de forma delicada o encontro entre Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau. Desenvolvida como exemplo de construção narrativa por meio da imagem.

Os Irmãos Cogumelo parecem ter nascido da mesma semente: da terra úmida, das histórias inventadas e das brincadeiras compartilhadas. Entre eles existe uma intimidade silenciosa, feita de códigos, segredos e da sensação rara de conhecer alguém desde antes de existir sozinho.
A árvore guarda vestígios dessa infância vivida em conjunto: meias, camisas e asas penduradas entre os galhos, datas riscadas no tronco e pequenos objetos esquecidos. Cada irmão possui seu galho favorito, o que acontece apenas com quem cresce junto e transforma um mesmo lugar em mundo.
Entre sombras verdes e vento atravessando as folhas, a cena cria a sensação de um tempo desacelerado, como se a brincadeira pudesse continuar para sempre.

Sempre lembro de uma frase que nunca saiu completamente da minha cabeça: “Mais do que temo a escuridão, temo a luz que revela tudo com clareza.” Talvez por isso essa casa exista tão distante do mundo. Ela não afasta a escuridão; pelo contrário, parece acolhê-la como parte do próprio abrigo.
Imagino esse lugar como um refúgio para almas cansadas, hóspedes inesperados e pessoas que precisam desaparecer por um instante do barulho da vida. Lá de cima, o universo parece infinito e silencioso, como se o tempo diminuísse apenas para permitir descanso.

Tudo começa quando uma carta chega ao lugar errado. Ela é aberta por mãos que não deveriam tocá-la, e o que estava guardado em segredo passa a existir alto demais dentro dele. Desde então, o Último Romântico atravessa a noite tentando esconder o desconforto atrás de sorrisos educados e da aparência de quem não se abala.
Mas existe algo que ele não suporta: a ideia de não ser amado da forma absoluta que imagina merecer. A indiferença o atravessa mais do que qualquer rejeição direta, transformando pequenos silêncios em catástrofes pessoais. Entre ruas vazias, pensamentos exagerados e sentimentos mal resolvidos, ele segura a carta como quem tenta decidir se certas coisas devem ser esquecidas ou guardadas para sempre

Entre acúmulos, cores e símbolos, a ilustração transforma o ato de guardar em um retrato afetivo. Um espaço onde memória e imaginação se misturam, criando um inventário emocional feito de pequenas relíquias pessoais.
Talvez colecionar seja também uma forma de não deixar certas partes de nós desaparecerem.

A obra nasce dessa adaptação silenciosa: da sensação de ocupar menos espaço dentro da própria casa. A menina-mariposa se recolhe para dentro de si como quem constrói um casulo, tentando escapar do ruído ao redor enquanto o mundo externo acumula brinquedos esquecidos, sapatos fora do lugar e assuntos interrompidos.
A ilustração fala sobre o silêncio aprendido cedo demais e sobre perceber o cansaço nos adultos antes mesmo de compreendê-lo completamente. Algumas palavras acabam sendo guardadas junto dos brinquedos,não porque desapareceram, mas porque às vezes parece mais fácil deixá-las quietas.

Presa entre o crescer e o permanecer, essa menina ainda procura abrigo em pequenos esconderijos , sob lençóis, dentro de caixas de brinquedo, na bolsa de moedas da avó. Existe nela o desejo de ser pequena o bastante para desaparecer e escapar do mundo que exige coragem para enfrentar os medos que sobrevivem à idade adulta.
Crescer parecia significar alcançar o teto com as mãos e deixar o medo para trás. Mas o corpo cresceu antes da alma. A figura que resta é a de uma criança alta e silenciosa, caminhando entre o querer ser e o precisar parecer.
Entre saudade e luto, a obra fala sobre os pedaços da infância que continuam intactos dentro de nós, mesmo depois que todo o resto aprende a crescer.

Ainda assim, existe algo que insiste em permanecer: o amor. Mesmo cercado por símbolos fúnebres, caveiras, pássaros e penas, o sentimento continua ocupando espaço dentro da cena como uma presença impossível de apagar. A ilustração questiona se o amor verdadeiro também alcança aqueles vistos como monstros, ou se até os heróis permanecem procurando algo que os complete.
Entre delicadeza e melancolia, a composição transforma a morte em cenário para vínculos que sobrevivem ao desaparecimento físico. O amor surge não como redenção, mas como permanência, algo que resiste, mesmo quando tudo ao redor parece chegar ao fim.

Com mãos pequenas e imaginação gigante, ele lança seus navios um a um sobre a água: barquinhos feitos de gravetos, velas montadas com retalhos esquecidos pelo tempo e fios antigos que parecem carregar histórias próprias. Cada embarcação nasce como experimento, brinquedo e feitiço ao mesmo tempo.
Entre correntezas e tentativas frustradas, Leo cria batalhas imaginárias e observa fascinado os mistérios da flutuação. Alguns barcos afundam rápido demais, outros resistem por mais tempo, mas nenhum fracasso interrompe a brincadeira. Existe encanto justamente na tentativa, na bagunça espalhada pelas margens e no prazer simples de inventar mundos com aquilo que as mãos conseguem construir.

Existe uma independência muito comum nas irmãs mais novas: aprender a brincar sozinha, observar sem interromper, ocupar pouco espaço e descobrir maneiras de criar companhia para si mesma. Lia parece confortável nisso. Ela não precisa de grandes aventuras , basta alguns recortes, uma luz acesa e tempo suficiente para deixar a mente vagar.
A obra fala sobre esse lugar silencioso da infância, onde imaginar cenários acaba sendo uma forma de escapar do tédio, da solidão ou simplesmente da sensação de estar sempre assistindo a vida acontecer ao redor. Porque, às vezes, crescer sendo a menor também significa aprender cedo a existir no próprio mundo.

Entre os mistérios da Floresta dos Silêncios, contam que os irmãos nasceram sob a mesma lua cheia, ligados desde o início por um idioma próprio feito de segredos, códigos e pequenas combinações inventadas só por eles. Quando os adultos perguntavam demais, já sabiam as respostas: a fruta era maçã, a cor era azul e o número sempre seria 7.
Hoje, os caminhos dos dois começam a seguir ritmos diferentes. Leo continua correndo em direção ao desconhecido, enquanto Lia aprende, aos poucos, a encontrar o próprio lugar no mundo. Ainda assim, a ilustração guarda essa sensação rara de infância compartilhada, quando bastava existir ao lado de alguém para nunca se sentir sozinho.

A raposa atravessa os céus procurando esse dragão, acreditando que ele teria respostas para tudo aquilo que a inquietava. Mas, durante a viagem, ela percebe que as respostas não estavam exatamente no destino. Elas apareciam aos poucos, nas pequenas coisas encontradas pelo caminho, nas mudanças inesperadas da jornada e no tempo passado sozinha com os próprios pensamentos.
No fim, o dragão acaba funcionando mais como um reflexo do que ela acreditava precisar encontrar. A chama que ele carrega não entrega respostas prontas, apenas revela que a luz que guiava a travessia sempre esteve dentro dela.

Sob sua sombra, o mundo pulsa em mistérios: minhocas tecem caminhos ocultos dentro de maçãs esquecidas; escamas de dragão brilham como fragmentos de um passado lendário; caveiras antigas descansam entre raízes, símbolos de histórias encerradas e renascidas.
Este castelo é um convite à viagem, um chamado para desvendar o que o tempo ainda não revelou. Entre suas torres, o futuro se desenha e o passado nunca se esquece. E assim, com uma palavra ancestral, tudo começa: “Era uma vez”.

A obra parte dessa simbologia, mas também de uma lembrança curiosa que transformou encanto em desconforto. Um inseto que se aproximou demais. Desde então, essas criaturas passaram a existir nesse espaço delicado e invasivo.
Entre fantasia e memória, a ilustração lembra que certas mensagens insistem em chegar até nós, mesmo da forma mais inesperada. Talvez algumas visitas precisem acontecer bem de perto para serem percebidas.

Até que surge uma figura incapaz de participar desse ciclo: um homem que não espionava janelas, não armava emboscadas nem carregava sacos furtados pela madrugada. Em vez disso, caminhava pelas ruas com um livro nas mãos e um romance ocupando a cabeça.
Sua honestidade silenciosa se torna uma ruptura. Quando um homem deixa de roubar, outro fica sem o que tirar; e então o próximo percebe o vazio das próprias mãos. O equilíbrio começa a desmoronar.
A obra fala sobre o desconforto causado por quem existe fora da lógica coletiva. Às vezes, basta uma única pessoa recusando o mesmo jogo para fazer estremecer toda uma estrutura
- Ilustração de um corvo preto sobre fundo roxo, cercado por uma moldura de quadro ornamentada. Ao redor do corvo estão diversos objetos em tons de lilás, como um urso de pelúcia, botão solto, despertador, chaves, selo, retrato emoldurado e outras pequenas relíquias. Entre os objetos, há um pequeno espelho refletindo o olho do corvo. O corvo aparece sorrindo, com o olhar voltado para os objetos ao seu redor.
- Ilustração de uma mariposa com as asas abertas sobre um fundo verde listrado. Nas asas há elementos simbólicos, incluindo um par de olhos e um coração partido. As asas possuem cores vibrantes em vermelho, azul, amarelo e preto, criando forte contraste com o fundo.
“Por mais que eu adore receber cartas e pombos-correio na janela, descobri que a comunicação online também tem sua própria magia. Ela me permite encontrar e conhecer almas incríveis espalhadas pelo mundo, atravessando distâncias em poucos instantes. Então, se quiser continuar atravessando esse pequeno canal mágico comigo, você também pode me acompanhar por:”
E caso queira atravessar esse canal mágico de forma ainda mais direta, e criar algo comigo, você também pode me encontrar por e-mail.
Bilhete encontrado no ateliê da Lua*
OBS: Ah, antes que você feche este portal e siga caminho: também produzo zines, projetos ilustrados e contos. Então, se encontrar páginas soltas, criaturas estranhas ou histórias escondidas... não foi acidente.
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Conheça alguns registros da minha trajetória em diversas feiras, festivais de arte e alleys. Atuo como expositora desde 2022, conectando meu universo ilustrado ao público em experiências incríveis por todo o Brasil.






